Artesãs interagem, negociam e divulgam o trabalho entre si em encontro exclusivo

“Eu acho uma beleza para se reunir com as amigas e passar uma tarde gostosa com elas” – Marlene Duarte Ramos

Você já ouviu falar em mulheres que se reúnem para “tricota”, em referência ao hábito feminino de conversar por horas e horas a fio sem parecer que o assunto se esgote? Esta é uma das motivações que levam centenas de garotas de meia e terceira idade a se juntarem semanalmente em bairros e comunidades rurais de Lages nos cursos de artesanato da Diretoria de Inclusão e Cidadania, da Secretaria da Assistência Social e Habitação. E no sentido literal elas tricotam de verdade, produzem trabalhos diversificados e coloridos, com precisão nos detalhes e firmeza no pulso e nos olhos, fixados para que nada saia do jeito errado, o mais próximo da perfeição. Grande parte das alunas, já idosas, desafia o cansaço da vista e aposta na prática repetitiva das artes manuais, entregando peças resultados de uma dedicação que dá “baile” em muita adolescente por aí. Descoberta de habilidades e talentos, com aperfeiçoamento contínuo.

A proposta do I Encontro de Mulheres Artesãs, na tarde deste sábado (4 de agosto), na Associação de Aposentados e Pensionistas de Lages, foi valorizar estas habilidades e integrar as participantes das aulas gratuitas de artesanato em diferentes partes da cidade e do interior. Em torno de 700 mulheres são contempladas. Há grupos amplos, com 50 a 60 componentes, em capacitações dadas por instrutoras da Diretoria e voluntárias.Na área central do município, cursos são oferecidos na Casa do Artesão, de segunda a sexta-feira, no período vespertino, ao lado da Fundação Cultural de Lages (FCL), onde são comercializados artigos confeccionados por alunas, como ocorre em feiras nas praças Joca Neves e Vidal Ramos Sênior (Terminal Urbano) e em frente ao Ginásio Ivo Silveira. Os produtos elaborados pelas monitoras podem ser adquiridos na loja da rua Nereu Ramos, perto do Calçadão da Praça João Costa.A diretora de Inclusão e Cidadania, Sandra Sell Ribeiro, lembra que o evento serve como troca de experiências e novidades, com um mostruário bem movimentado. “Para elas se conhecerem e os trabalhos podem ser vendidos. A prefeitura fomenta o incremento da renda familiar. As aulas são uma terapia para estas mulheres, incríveis batalhadoras do dia a dia, sejam como protetoras de suas famílias, profissionais, referências. Semanalmente, conversam sobre seus problemas, se orientam, o que faz a doença e a compra de remédios diminuírem, até a comunidade funciona melhor. Pretendemos ampliar ainda mais os treinamentos”, reflete Sandra, enaltecendo as parcerias, como a da empresa Bella Janela, que encaminha doações de cortinas, que são recicladas e reaproveitadas nos cursos, se transformando em peças delineadas e admiráveis para decoração do lar.

No início do Encontro as convidadas assistiram a apresentações de dança do Projeto Dançar Passarela, seguida por uma palestra sobre orçamento familiar e economia, ministrada pelo Banco da Família. No final saborearam lanche com um bolo feito pelo setor de panificação do Município, cachorro-quente, biscoitos e refrigerante. Um sorteio de brindes doados por lojas parceiras também tornou a tarde mais atraente.

Tardes de aconchego

Professora no Salto Caveiras, Nezita Coelho faz cursos e leciona artesanato há cerca de 30 anos, entre eles pintura em tela e em vidro jateado e macramê. Ela e suas alunas se reúnem na igreja católica da localidade às terças-feiras, das 14h às 17h. A sala é ocupada por 15 mulheres, dividindo conhecimentos, momentos de oração e lanches. “Dou aula de bordado vagonite, tricô, ensinando a fazer meias, luvas, gorros, mantas, crochê. A Zélia Reis, esposa do presidente da associação de moradores, senhor Sauro, me auxilia. Eu sou voluntária. Sou aposentada e tenho casa na cidade, mas moro no Salto há oito anos, onde temos chácara há 23 anos. Fazer este trabalho me faz um bem danado. Eu gosto demais. O que sei gosto de repassar, e a gente sempre tem algo a aprender também.”

Marlene Duarte Ramos, 67 anos, é aluna e vizinha de Nezita. A renda é formada pela venda de queijo, ovos, leite. Casada, é mãe de cinco filhos, quatro moram em Lages e um em Brusque. Há cinco anos ela não larga das qualificações em atividades manuais, sua paixão. “Eu acho uma beleza para se reunir com as amigas e passar uma tarde gostosa com elas. A gente faz amizade. Gosto mais de tricô e crochê, até vendo alguma coisa, mas faço mais para mim mesma, para a casa. É almofada, trilho de mesa, puxa-saco, colete, blusa.”

Abrangência

Existem grupos de artesanato nos bairros de abrangência dos oitos Centros de Referência de Assistência Social (Cras’s) – São Cristóvão, Caroba, Vila Mariza, Caça e Tiro, Vila Maria, São Carlos, Guarujá, Pró Morar, Universitário, Caça e Tiro, Santa Mônica, São Pedro, Tributo, Penha, Brusque, Santa Cândida, Santa Helena, Centenário, Morro do Posto, Santa Catarina (Igreja Evangélica) e Petrópolis com um grupo em cada local. Santa Catarina (Caic) com dois grupos e Centro (Casa do Artesão) com quatro grupos.

E nas localidades rurais Salto Caveiras, Macacos, Pessegueiros, Índios, Cabo de Lança, Potreiros, Três Árvores e Gramado, com um grupo em cada local, e Rancho de Tábuas com quatro grupos. Durante as oficinas são ministradas aulas de confecção de nécessaire, chaveiro, móbile, porta-níquel, porta-celular, peso de porta, panos de prato enfeitados, aventais, bonecas, almofadas, acolchoados, artigos em patchwork, feltro, fuxico, tricô, crochê e bordado, além de itens com utilização de elementos regionais, como porungo, nó de pinho e pinhão.

A Diretoria de Inclusão e Cidadania está situada na rua Caetano Vieira da Costa, antiga Fatma. Contato: 99913-2113. Este serviço está ligado à Secretaria da Assistência Social e Habitação, cujo responsável é o secretário Samuel Ramos.

Fotos: Toninho Vieira

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