Prefeito Ceron encara as perguntas no ATO

O prefeito de Lages, Antônio Ceron, concedeu uma entrevista à reportagem ao NOTÍCIA NO ATO, qual fez um balanço dos quase dois anos de governo. Ele respondeu à todas as indagações que lhe foram feitas:

NOTÍCIA NO ATO – Prefeito, já se passaram quase dois anos de gestão. Como pode ser analisada sua administração nesse período?
CERON – Na verdade a situação de hoje, é mais razoável, do que aquela que encontramos no início da nossa administração, em função da dívida vencida, que era muito alta, o que exigiram algumas ações, inclusive a própria reforma administrativa realizada, que teve muito haver com a situação da Prefeitura. A máquina muito cara em relação à receita obtida. Em todo caso, há mais tranquilidade, muito embora, nenhum dos quase seis mil prefeitos no Brasil estejam tranquilos. Mas, é um situação que dá para ir administrando.

NOTÍCIA NO ATO – A herança recebida da administração anterior não permitiu as realizações de muitas obras. Como está a situação financeira da Prefeitura do Município de Lages hoje?
CERON – A situação financeira da Prefeitura de Lages é de preocupação. A máquina absorve quase que totalmente a receita. Temos muitos encargos em diversas áreas, como na saúde, na assistência social, na educação. A contrapartida do Governo Federal impõe ações, e não vem recursos financeiros. E a situação econômica que o Brasil está vivendo com reflexos para o Estado de Santa Catarina e Lages, torna-se uma situação bastante difícil. Então há uma preocupação, com a retomada do desenvolvimento da economia, para que a receita também tenha aquecimento e a Prefeitura possa devolver em qualidade de serviço para a população.

NOTÍCIA NO ATO – Qual foi o maior desafio até hoje na sua administração?
CERON – O maior desafio é fazer com que a Prefeitura possa desenvolver com qualidade os seus serviços para a população, com os retornos dos impostos que são pagos. Mas, entendo que a situação melhorou muito, principalmente na área da Saúde, com o problemas rotineiros que vão continuar tendo, porém, com o treinamento e engajamento e, com muito cuidado com o patrimônio pessoal que a Prefeitura têm, na questão da Saúde conseguimos vencer etapas. Na Educação, entendo que também crescemos bastante, não há uma demanda muita acentuada. Temos que melhorar os índices do Idepe. Há também uma preocupação constante. Eu diria que a grande meta que temos é gerar emprego e renda à população.

NOTÍCIA NO ATO – Como está o relacionamento com o Ministério Público, já que as demissões realizadas pelo Prefeitura Municipal gerou um certo mal-estar.
CERON – Eu tenho o maior respeito pelo Ministério Público e pela Justiça, e temos convivido com uma harmonia satisfatória. E sempre que somos acionados pelo MP, temos oportunidade de dialogar e mostrar o outro lado, e muitas vezes mostrar o motivo de que deixamos de fazer. Não é porque a Prefeitura ou o prefeito não se esforça e não são resolvidas. Do outro lado está a demanda da população, que o MP recomenda como sendo infinita. Mas temos a nossa capacidade de resolutividade com as questões de pessoal e financeiras que são finitas.

NOTÍCIA NO ATO – A Câmara de Vereadores tem sido parceira com a administração Municipal? CERON – Se olharmos com objetividade as matérias, os projetos de leis que temos enviado à Câmara de Vereadores, as mais importantes, e 100% delas foram aprovadas. Umas aprovadas, outras modificadas para melhor. Eu diria que o Legislativo e o Executivo neste aspecto trabalham como absoluta normalidade. Temos o maior respeito pelos vereadores. Eles tem mandato popular. Quando usam a Tribuna, num regime democrático, cabe a nós respeitarmos aquele que foi outorgado um mandato através do voto popular esta missão. Sei viver tranquilamente com o Legislativo. Até porque tive quatro mandatos como deputado estadual, e sei da importância do mandato popular que deve ser exercido na sua plenitude.

NOTÍCIA NO ATO – A questão da Creche do Bairro Pro Morar, com 124 aditivos. Como está a situação?
CERON – A situação é complicada. E já comuniquei que a Prefeitura Municipal de Lages no decorrer do ano, não tem recursos para a retomada das obras. Isso foi feito em andamentos não normais, e que acabaram com um absurdo de 14 aditivos naquela obra. Já era para estar terminada a três ou quatro anos. Infelizmente vamos retornar as obras somente a partir de 2019. Este ano não temos recursos disponíveis.
NOTÍCIA NO ATO – Apesar de não ser a época ainda, porém, indagamos: que obra irá marcar a sua administração?
CERON – Dá para citar a frase que norteia a minha ação, e toda a equipe de trabalho: respeito às pessoas e o dinheiro público a verdade em primeiro lugar com transparência absoluta, e fazer com que Lages retome o astral positivo. Lages foi mergulhada num astral negativo e tudo aquilo que aconteceu, acabou contagiando em parte, a população de Lages. Vamos virar a página para uma história mais aberta mais realista e de otimismo, e que Lages retome o desenvolvimento pleno.

NOTÍCIA NO ATO – A revitalização do Centro de Lages e a do Mercado Público são duas obras que vão fazer bem à autoestima do lageano. Como o prefeito analisa?
CERON – Na verdade foi feito muito estardalhaço. Retomamos os dois projetos. A do Mercado Público é uma obra que está fluindo com rapidez. É uma obra histórica com mais de um século. Local de encontro da população. Será um local onde o nosso pequeno produtor rural e artesanal tenha um local de visibilidade para comercializar seus produtos, e também seja um local de lazer e de entretenimento, onde a cultura e a arte lageana, possam ser exercitadas. A revitalização do Centro de Lages, também é um projeto de longa data, que, não existia nada, não estava pago. Muita fumaça, muita propaganda e não aconteceu nada. Tiramos do papel e neste momento já sabemos qual é a empresa que vai realizar a obra. Deixarei para assinar a Ordem de Serviço após o primeiro turno das eleições. Exatamente para não observar como vantagens políticas eleitorais. A obra de revitalização do Centro será um motivo de orgulho para todos os lageanos. Um local onde todos utilizam.

NOTÍCIA NO ATO – A questão habitacional, como o prefeito analisa esse segmento? CERON – Temos realizado muitos trabalhos, no varejo, sempre no atendimento às prioridades. Cumprimos a poucos dias, uma obra que também estava paralisada, que é as 200 residências do Conjunto Habitacional da Ponte Grande. Estamos em vias de lançarmos um projeto em parceria com uma instituição financeira, uma organização que trabalha nesta ordem, um projeto de 400 residências, onde o proprietário entra com o terreno. Haverá um financiamento a longo prazo para construção de casas populares de madeira. E a Prefeitura de Lages vai dar a sua contrapartida pagando os juros deste financiamento. Entendo que no mês de outubro este projeto se tornará público, e feito o lançamento. Um dos nossos objetivos será o de escriturarmos todos os proprietários de imóveis que se encontram em terras do poder público, até no final do mandato. Tem proprietários que vivem na posse do terreno há 30 anos, porém sem título de propriedade. Nós vamos dar o direito de dignidade a essas famílias.

NOTÍCIA NO ATO – Prefeito, a questão da implantação da Berneck, o que o município abriu mão para que essa indústria pudesse ser implantada em Lages?
CERON – É uma página nova, limpa e verde de esperança que Lages dá a retomada plena do desenvolvimento econômico, além de outros investimentos que acontecem em Lages. É um investimento de R$ 800 milhões, que acontece em Lages. Uma geração de 650 empregos diretos e mais de 1000 indiretos. Só para te ter uma ideia do vulto dessa obra, 300 caminhões entrarão diariamente na fábrica com matéria prima vinda do interior de Lages. Enquanto isso, outros 100 carretas/dia sairão em direção aos portos com material industrializado para exportação. E a Prefeitura, em tese, com a parceria que tivemos do ex-governador Raimundo Colombo os valores dos terrenos, que era uma das condições, foram totalmente patrocinado pelo Governo do Estado. E houve na decisão judicial, um valor adicional que foi pago com recurso da Prefeitura e que será reembolsado pela Berneck com a venda dos pinus que estão em cima do terreno. Num cálculo nem tanto 100% correto, porém, numa estimativa em torno de R$ 700 mil reais/mês, será um incentivo direto na arrecadação da Prefeitura Municipal. A Bernack terá uma redução de ISQN conforme determina a Lei e aprovação da Câmara de Vereadores. Com a implantação da Berneck, da Havan e do Fort Atacadista, serão mais de 1.100 empregos diretos que serão proporcionados.

NOTÍCIA NO ATO – Em que áreas outros empreendimentos estão sendo sondados a vir para Lages?
CERON – A Havan será inaugurada em 26 de Outubro, com um investimento de mais de R$ 30 milhões. De igual valor é o Fort Atacadista. Também a Flex que é a maior empregadora de Lages, já anunciou o desejo de construir sua sede na cidade. Isso nos dá segurança, pois a empresa cria mais raízes profundas na cidade, para que mantenha qualidade e quantidade de emprego em Lages.

NOTÍCIA NO ATO – A situação do terreno onde seria implantada a Sinotrock como está no momento?
CERON – Aquele terreno hoje, está num custo de R$ 12 milhões de reais. Pelo contrato feito na época a Prefeitura teria de pagar, descontado no ICMS aquele valor. E como os dois projetos não deram certo, entramos em acordo com o Estado para que assuma a dívida do terreno, evitando o pagamento pela Prefeitura Municipal.

NOTÍCIA NO ATO – O que se espera do futuro Governador do Estado, independente de quem quer que seja eleito?
CERON – Independente de quem quer que seja eleito, queremos que Lages seja tratada com respeito, pela importância socioeconômica que Lages representa, como também toda a Região Serrana seja contemplada com um plano de desenvolvimento econômico. Evidentemente que estou trabalhando e torcendo para que meu candidato, seja eleito e tenhamos a fluidez de recursos que tanto necessitamos e parceria se tornando ainda mais forte.

NOTÍCIA NO ATO – É bom frisar que no início da sua gestão muitos “pepinos” foram encontrados. Relate-nos:
CERON – “Pepinos” eu ouvia dizer na campanha eleitoral. Era a visão. Encontrei foram abóboras de 50 quilos. Jamais vou criticar uma administração anterior. Disse no dia da posse: estou herdando uma situação que vem de 251 anos na época. Temos que respeitar todo mundo que teve por aqui. Todo mundo tentou fazer o melhor. Com certeza vou deixar a Prefeitura de Lages, financeiramente, vai depender das circunstâncias. Porém, na questão geral, que ela seja mais respeitada, principalmente pela população de Lages.

NOTÍCIA NO ATO – Como o prefeito vê a importância de Lages no contexto da Amures?
CERON – Quando pensamos em desenvolvimento, não o fazemos apenas por Lages. Por exemplo, no segmento turístico com probabilidade de maior crescimento no mundo. A nossa Região foi brindada pela natureza. Nós, homens, não realizamos a nossa parte. Não adianta na questão do turismo, querermos desenvolver Lages ou Urubici apenas. Ou São Joaquim. Tem que ser um projeto globalizado da região. E na Amures, até pela liderança natural que Lages deve ter, temos que conversar com todos os demais 17 prefeitos que compõem a Região para que tenhamos um crescimento integrado. Por exemplo, na área da Saúde, é natural que é desses municípios não tenha condições, é natural que Lages deve acolher de braços abertos as pessoas e proporcionar o atendimento a esses seres humanos que, no município de origem não têm condições de realizarem um tratamento adequado. Devemos trabalhar de maneira fraterna com todos os municípios, porque juntos seremos mais fortes. É por isso que, nos próximos governos devemos trabalhar num parâmetro em conjunto, e não diferenciado, porque se queremos que todas as pessoas de Santa Catarina tenha um padrão de vida ideal, devemos pensar em toda a população, e não apenas naqueles que são bem aquinhoados como também naqueles que são debilitados economicamente, principalmente aos filhos das famílias sem condições econômicas favoráveis. Se a Prefeitura não der igualdade de oportunidade, um jovem quando alcançar sua maioridade encontrar dificuldade na busca de empregos. Temos que cuidar das futuras gerações.

NOTÍCIA NO ATO – Para finalizar, como o prefeito analisa a pavimentação das estradas da Coxilha Rica?
CERON – Lages tem na Coxilha Rica em torno de 30 mil hectares de áreas agricultáveis. Que se pode trabalhar, se pode trabalhar sem prejudicar a natureza e os valores lá existentes. Mas, exatamente, procurando aproveitar o que a natureza ofertou a Lages em questão de espaço para agricultura, pecuária, silvicultura de maneira ordenada. O asfalto, que vem de encontro a essa questão. No Turismo, já se tem um hotel, sendo construído por empresários de Blumenau na região no começo da rodovia. Só temos que cumprimentar o Governador Raimundo Colombo por ter iniciado essa obra que, infelizmente não pode concluir. Não temos dúvida que aquela região será um novo celeiro do agro negócio naquela região de Santa Catarina. Quero aproveitar a agradecer a oportunidade de mostrar de maneira muito sincera como eu vejo Lages e, como se prospecta um futuro. Retrovisor só serve para olhar para trás. Temos que olhar para frente e vislumbrar Lages no auge do desenvolvimento para o bem da sua população.

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