//José Ferreira recebeu o título de cidadão lageano

José Ferreira recebeu o título de cidadão lageano

Comerciante, escritor, jornalista, aventureiro, cidadão do mundo: é difícil definir em uma palavra o gaúcho José Ferreira da Silva, que após 47 anos de morada em Lages, que recebeu nesta quinta-feira (7/11) o título de cidadão lageano da Câmara Municipal. Proposta pelo vereador Lucas Neves (Progressistas), a sessão solene tem início às 19h, no Plenário Nereu Ramos.

Zé Ferreira é conhecido por ter cruzado o mundo de lambreta no fim dos anos 60. Nesta incrível jornada, que durou quase um ano, ele atravessou 54 países, ilhas e estados independentes, somando mais de duas mil cidades, vilas e povoados. Pelo feito, ganhou a alcunha de o “O Mensageiro da Amizade” e uma menção na edição de 1998 do Guinness Book of Records como a mais longa viagem de lambreta ao redor do mundo. Recebeu títulos de “Cidadão do Mundo” e de “Bombeiro Honorário” nas três Américas (do Sul, Central e do Norte). Sobre este épico, escreveu o livro “O Aventureiro: a Volta ao Mundo de Lambreta”.

“Tenho uma gratidão eterna a quem me ajudou na realização de meu sonho de conhecer o mundo. Foram quatro anos me preparando antes da partida pra aventura, dezenas de pessoas comuns, homens e mulheres me ajudando no conhecimento e incentivando. Portanto, agora sou um homem feliz e realizado. (…) Minha missão neste mundo eu procurei cumprir: plantei árvores, escrevi um livro e tenho filhos”, define o homenageado.

Da infância sofrida às mil aventuras

Nascido na cidade de Caxias do Sul-RS, em 6 de outubro de 1937, José é filho de Ignácio e Francisca Ferreira da Silva, sendo o mais novo de uma família de dez irmãos. Casado com Marli Maurina, tem uma filha, Katia Silvana, e dois filhos, José Johnny e Kleyton. Veio a Lages para um serviço de 60 dias e fez daqui o lugar de sua tranquilidade. É proprietário, entre outros estabelecimentos, da Casa Olímpia e vive há 35 anos em uma residência próxima à praça Joca Neves, onde mantém um museu com o acervo de sua vida.

Teve uma infância pobre e precisou se alimentar de frutas silvestres do mato próximo à sua casa em Caxias. Aos 7 anos, já ajudava seu pai vendendo banana nas ruas para o sustento da família. Com 12, passou a trabalhar na metalúrgica Abramo Eberle. Depois do horário de serviço começou os trabalhos de técnica e locução na rádio Caxias ZYF-3 e repórter de rua do jornal Correio Riograndense. Seguiu com a carreira após se mudar para São Leopoldo e Porto Alegre.

Com a chegada da maioridade, serviu a Força Aérea Brasileira (FAB), onde tirou o brevê e se tornou piloto comercial por cinco meses, sonho interrompido por um acidente quase fatal. Após a recuperação, virou garoto-propaganda em filmes comerciais e outdoors. Depois de dezenas de cursos profissionalizantes, tornou-se diretor comercial de uma empresa de eletrodomésticos e de um laboratório de produtos farmacêuticos. Casou aos 26 anos, mas um ano depois, sua primeira esposa faleceu.

A guinada em busca de um sonho

Passado um ano desta fatalidade, deu início a preparação de quatro anos para um sonho da adolescência: conhecer o mundo. A inspiração veio após conhecer, aos 15 anos em Porto Alegre, um colombiano que estava rodando o continente de bicicleta. Decidiu que o faria de lambreta, por ser econômica e de fácil manutenção em qualquer lugar que estivesse. Estudou línguas estrangeiras (inglês, francês, espanhol e alemão), fez aulas de defesa pessoal, mecânica, táticas de sobrevivência, comunicação e exercícios militares, sobre a cultura dos povos. Contou ainda com o apoio da Televisão Gaúcha, Jornal Zero Hora, Correio do Povo e da Pepsi para iniciar sua jornada no dia 5 de outubro de 1968.

Zé Ferreira cruzou a América do Sul, América Central, América do Norte até o Alasca. De lá partiu para a Europa, Oriente Médio, Índia, norte da África. De Tânger, no Marrocos, seguiu para Portugal e de lá em um navio até à nação pátria, fazendo escalas nas ilhas da Madeira e de Cabo Verde, Dakar no Senegal, Recife, Salvador e Rio de Janeiro. Da Cidade Maravilhosa cruzou o país por mais três dias até chegar à Sapucaia do Sul-RS, onde residia sua família, em 29 de setembro de 1969. Os lugares que mais o impressionaram foram Machu Picchu, Punta Arenas, as ilhas de Páscoa, da Madeira e de Cabo Verde, Alaska e a Groenlândia.

Pela volta ao mundo de lambreta virou um benemérito do motociclismo brasileiro, agraciado pela Federação Gaúcha de Ciclismo e Motociclismo. Também foi homenageado pela Rede Globo por três produções jornalísticas e entrou no Livro dos Recordes (Guinness Book of Records) na edição de 1998, página nº 96. Fez dezenas de palestras sobre a aventura em congressos, escolas, faculdades, clubes e associações em muitas cidades ao redor do país e países da fronteira.

Atuou ainda como correspondente em vários jornais e revistas do país, na TV Cultura, de Florianópolis, TV Coligadas, Jornal Santa Catarina, de Blumenau, e O Povo, de Camboriú. Em Lages, trabalhou nas rádios Difusora, Princesa, Cidade e Guri, no jornal Notícia no Ato e na revista Serra News. Também foi membro da diretoria da Associação Lageana de Escritores (ALE).