//Carta aberta à comunidade acadêmica Uniplac

Carta aberta à comunidade acadêmica Uniplac

A Uniplac, ao longo dos seus 60 anos de história, já enfrentou muitas adversidades. Do pioneirismo na Educação Superior da Serra Catarinense, passando pelo credenciamento como Universidade e até um período agudo de crise em 2008, felizmente superado pela necessária Intervenção Judicial finalizada em 2014, sempre tivemos a certeza de que somos fortes para enfrentar e vencer desafios. Assim é a Uniplac, assim é o povo serrano.

O primeiro bimestre de 2020 apresentava-se promissor. Graças à maior distribuição de bolsas e benefícios da história da instituição, o mês de fevereiro rompeu a marca dos 4300 alunos, entre graduação e pós-graduação. A perspectiva do volume de recursos oriundos do Governo Estadual via plataforma Uniedu fazia com que vislumbrássemos um novo recorde de concessão de bolsas aos alunos, e ainda com a perspectiva de simplificação do processo de entrega de documentos por parte dos candidatos a essas bolsas. Internamente planejávamos ações visando diversificar nosso portfólio de cursos e continuar a expansão que permitiria ampliar os benefícios para a comunidade acadêmica. As melhores expectativas estavam por ser superadas. E então, eis que se inicia o mês de março.

Havíamos finalizado o processo de matrículas e partiríamos para os passos seguintes do planejamento, quando, ainda antes do dia 10 daquele mês, recebemos a informação de que, muito em breve, seríamos obrigados a rever nossos planos. A suspensão das atividades era iminente. Como todo o país, entrávamos em um tempo de incertezas, justamente quando as crises pareciam ter ficado no passado. Uma dura realidade se avizinhava.

Diante do aumento de casos de Covid-19 no Brasil, no dia 16 de março, sempre visando resguardar a saúde de toda a comunidade acadêmica, resolvemos suspender as atividades presenciais no campus. No mesmo dia, a Pró-reitoria de Ensino (Proens) e a Pró-reitoria de Pesquisa Extensão e Pós-graduação (Propepg) convocaram os coordenadores de curso para repassar diretrizes sobre o encaminhamento das aulas e o contato com alunos e professores.

Quase que automaticamente, nossas aulas passaram da presencialidade em sala para a mediação por tecnologia, usando os recursos Google for Education. Professores passaram a reelaborar suas aulas, cumprindo seus horários frente aos seus computadores em suas residências. Alunos passaram a não mais dividir espaços físicos com colegas, mas sim com familiares. Este processo, que dia a dia se consolida, nos fez amadurecer, aumentou nossa disciplina e engajamento. Falhas aconteceram? Por certo sim, mas aceleramos nosso tempo de resposta para que algumas situações pudessem ser rapidamente solucionadas. Enfim, continuamos avançando nessas melhorias. Parar não era – e não é – uma opção.

Atrelada à crise de saúde, apresentou-se também a severa crise econômica que, bem sabemos, atingiu a todos. Já no início da suspensão das aulas destacamos uma equipe para receber as dúvidas dos alunos com o objetivo de tranquilizá-los, para entender cada situação e tratá-la de forma individualizada, respeitando os limites de cada um.

Definimos que cada negociação seria tratada de forma especial, única. Dúvidas quanto ao pagamento/atrasos de mensalidades, débitos na biblioteca, continuidade do programa Estamos Juntos, solicitações de descontos em massa, eis os casos que mais foram demandados. Pois bem, esta carta tem esta função: explanar sobre todos os itens citados anteriormente.

Cabe-nos dizer que a deliberação sobre a não cobrança de quaisquer tipos de juros, multas e correção monetária ocorreu assim que o Ato Normativo de suspensão das aulas foi publicado. Entendemos, desde o início dessa crise, que nossa comunidade sofreria com a pandemia e suas consequências, a ponto de termos ampliado o prazo para pagamento das mensalidades daquele mês para o dia 25. O objetivo dessa medida era tranquilizar os acadêmicos e dar mais tempo para que pudessem reorganizar suas finanças.

Decidimos também pelo cancelamento das multas oriundas de atrasos na entrega de livros na biblioteca, ampliamos o prazo de entrega dos exemplares e, em tempo oportuno, retomamos o empréstimo de livros, obedecendo todas as recomendações dos órgãos sanitários, protocolo que será mantido até a retomada total das atividades presenciais da Universidade.

Nosso Programa Estamos Juntos configurou-se ao longo de sua existência como o maior programa de transferência de renda da Serra Catarinense. Quando lançado, em 2018, este programa tinha o objetivo de atender aos nossos acadêmicos “veteranos”, visto que nossas estruturas curriculares haviam sofrido alteração e que a partir desta reengenharia poderíamos reduzir o ticket médio das mensalidades dos novos alunos. Pois bem, já no primeiro semestre, conseguimos atender 1253 alunos, com um percentual médio de 6,71% de abatimento na mensalidade. Diante da potencialidade do programa, fomos ao longo dos semestres aperfeiçoando-o e percebemos que esta ação nos permitiria mudar o panorama da Educação Superior na Serra Catarinense, possibilitando que mais pessoas pudessem realizar seu sonho de frequentar uma UNIVERSIDADE, e por conseguinte ajudar a melhorar os indicadores socioeconômicos da região. Abaixo apresentamos o quadro evolutivo do Programa Estamos Juntos:

Neste ano atípico, a Uniplac ainda precisou intervir pelos seus alunos nos resultados obtidos na concessão de bolsas pelo governo do Estado. A nova metodologia aplicada na plataforma Uniedu alterou o processo de concessão, fazendo com que um número menor de alunos fosse beneficiado com um volume maior de recursos. Entendendo o problema dos alunos não atendidos pelo programa, imediatamente a Uniplac reforçou as negociações, concedendo descontos para os alunos que nos procuraram para relatar suas situações.Importante observar que no semestre corrente, quase 91% dos alunos obtiveram acesso a este benefício, com percentual médio de 37,55% de abatimento nas suas mensalidades, impactando a vida de milhares de alunos. Em termos absolutos, podemos afirmar que a execução deste programa, além de viabilizar o acesso ao ensino de qualidade à nossa população, equivale a uma utilização de R$ 9.918.326,70 (nove milhões novecentos e dezoito mil e trezentos e vinte e seis reais e setenta centavos) de receita da Universidade em benefício direto da comunidade acadêmica.

Também fomos contatados por alunos que infelizmente perderam seus empregos, tiveram suas rendas diminuídas, ou que enfrentavam problemas das mais diversas formas. A última informação que obtivemos dava conta de que estávamos prestes a romper a marca de 1500 negociações em um intervalo de 60 dias, sempre em busca da melhor solução. Frisamos que todos os cursos foram e estão sendo atendidos pela nossa equipe de renegociação.

Enfrentamos, em decorrência dessas renegociações e inadimplências, uma acentuada queda na receita da Universidade. Somente entre março e abril já somávamos um deficit de mais de R$ 1.300.000,00. O mês de maio, ainda não consolidado, apresenta aumento desses números. Ainda assim, mantemos os salários rigorosamente pagos em dia. Visando reduzir despesas, contratos foram renegociados ou suspensos e fizemos redução de jornada para alguns colaboradores nos termos da legislação, tentando minimizar o impacto. No entanto, ainda não chegamos ao ponto de equilíbrio.

Nos questionam com frequência sobre a redução dos valores nas contas de água e energia elétrica. Esta redução é de cerca de 5%, pois a leitura dos meses anteriores foi feita por média e a diminuição da despesa é irrisória, não contribuindo de maneira significativa para a equalização das contas. Por óbvio que repassaríamos automaticamente este desconto às mensalidades, entretanto, enfatizamos, tal prática viria, neste momento, a aumentar o deficit nas contas da Universidade.

Entendemos que o momento é difícil. Estamos acompanhando o encerramento de atividades de empresas icônicas na nossa região, dos mais variados segmentos. Firmamos o compromisso com o ensino de qualidade, mantido pela manutenção das aulas mediadas por tecnologia e precisamos direcionar esforços na recuperação da sustentabilidade financeira da Uniplac. Temos certeza de que seremos, mais uma vez vitoriosos neste processo.

O Diretório Central dos Estudantes tem mantido contato frequente tanto com a Universidade quanto com a Fundação Uniplac, no sentido de buscar alternativas. Nossas decisões sobre manutenção de descontos, isenção de multas, juros e correção monetária, são frutos deste trabalho conjunto. Novamente enfatizamos a necessidade de manter diálogo, pois novas possibilidades estão para surgir, sempre em benefício dos alunos.

Encerrando esta carta, informamos que no dia 8 de junho iniciaremos uma campanha que buscará atender os anseios da comunidade acadêmica. Estamos em ajustes finais para este lançamento e pretendemos fazê-lo em parceria com o DCE Uniplac, pois entendemos que é uma conquista de todos.

Por fim, informamos que nossa equipe, em parceria com as instituições coirmãs do Sistema Acafe, tem mantido contato direto com o Governo do Estado no sentido de definirmos quando e de que forma se dará a retomada das atividades práticas. No dia 27 protocolamos junto à Secretaria Estadual de Saúde e Secretaria de Educação o Plano de Retomada Gradual das Atividades Presenciais da Uniplac. Aguardamos ansiosos pelas deliberações do poder público para que, com toda a segurança necessária, possamos retomar gradativamente nossas atividades no campus.

Agradecemos pela atenção e mantemo-nos à disposição da nossa comunidade acadêmica.

Grande abraço

Prof. Kaio Henrique Coelho do Amarante

Reitor da Uniplac.