Nunca é hora de baixar a guarda para o Coronavírus

Dicas de como entender melhor o isolamento social e cuidar de si mesmo e das pessoas ao redor

O ano de 2020 está sendo de grandes batalhas para o mundo inteiro e ainda não é recomendando reduzir as precauções e nem realizar as aglomerações, um dos fatores principais no maior dimensionamento do novo Coronavírus (Covid-19). O inimigo invisível está em toda parte e o planeta deve permanecer com seus escudos a postos.

O isolamento domiciliar de pacientes sintomáticos é necessário para diminuir a propagação do vírus. Deve ser cumprido na sua integralidade, em que o paciente e seus familiares não podem sair da sua residência durante este período, e tomar algumas medidas de higiene e controle internos. Para o paciente que necessita de internação hospitalar em enfermaria, o tempo médio de isolamento tem sido de três e cinco dias. Se for para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), este tempo geralmente passa a ser de sete a dez dias. Os medicamentos administrados vão depender de cada quadro, de forma individualizada.

A Central de Monitoramento está responsável pelo acompanhamento telefônico dos pacientes, por uma equipe médica, verificando a evolução junto ao paciente, suas necessidades e caso de reavaliação. Pode ser orientado o seu retorno ao Centro de Triagem ou à Unidade Básica de Saúde (UBS), conforme a situação.

Sobre os riscos de reinfecção, “estudos demonstram que, como ocorre em todas as doenças virais, o paciente de Coronavírus desenvolve uma memória imunológica, estando, assim, protegido de outras infecções pelo mesmo vírus, detalha o diretor técnico do Centro de Triagem para a Covid-19, Leonardo Coelho.

As atitudes simples do dia a dia e extremamente eficazes, já ensinadas e apreendidas pela população, devem ser mantidas e por que não, intensificadas? Lavar bem as mãos com água e sabão, na falta uso do álcool gel, utilizar máscaras de proteção facial, cumprir o distanciamento social e reforçar o sistema imunológico com hidratação e boa alimentação. Crianças abaixo de dois anos de idade não devem utilizar máscara porque a salivação intensa, as vias aéreas de pequeno calibre e a imaturidade motora elevam o risco de sufocação.

E os objetos, produtos e alimentos que são levados de fora para dentro de casa?

O ideal é passar um pano com álcool em concentração 70% em todas as compras ao chegar em casa, antes de guardar no lugar, higienizando bem as mãos logo em seguida. Calçados de rua, de preferência, guardados na entrada da residência, evitando assim uma possível propagação dentro de casa.

O Coronavírus vive pouco ou vive muito?

As partículas virais liberadas junto com a saliva podem permanecer flutuando no ar por cerca de 40 minutos e até duas horas e trinta minutos. Os vírus que são depositados sobre uma superfície, dependendo das características desta superfície, podem permanecer viáveis por algumas horas ou até dias.

Estudo recente, publicado no New England Journal of Medicine, descobriu que o vírus é viável por até 72 horas em plásticos e aço inoxidável, 24 horas em papelão e quatro horas em cobre. A quantidade de vírus existente nas superfícies diminui com o passar das horas, reduzindo-se o risco de contaminação. “O mais importante é evitar tocar em superfícies com as quais muitas pessoas têm contato, o que inclui mesas, bancadas, maçanetas, interruptores, telefones, teclados, torneiras, entre outros. A limpeza das superfícies com desinfetante ou sabão é significativamente eficaz”, pontua o diretor técnico, Leonardo Coelho.  

Mais perigoso em idosos ou jovens?

Apesar de o novo Coronavírus ser mais perigoso e letal em idosos, os jovens também sofrem com a doença porque o vírus tem uma alta capacidade de contaminação e, principalmente, de multiplicação no organismo. As doenças crônicas como obesidade, cardiopatias e problemas respiratórios, podem complicar o cenário numa eventual infecção.

E os exames, quais são e quando realizar?

Mediante o período da doença é realizado o exame de RT-PCR que consiste em um Swab nasal (secreção por aspirado da nasofaringe) para identificação do vírus, ou um exame de sorologia, para pesquisar a presença de anticorpos. Pacientes entre três e cinco dias de sintomas coletam material para RT-PCR; pacientes entre seis e dez dias de sintomas não passam por coletas de exame pelo risco de resultado falso, e pacientes após 11 dias de sintomas podem realizar a sorologia IgM e IgG. Não existe necessidade de ficar realizando exames com rotina. Uma vez positivado em um exame, o paciente permanece positivo nos demais.

Sorologia é o termo usado para definir os exames que identificam a presença de determinados anticorpos no nosso sangue. Os mais comuns são os exames sorológicos denominados IgG (imunoglobulina G) e IgM (imunoglobulina M). Ou seja, IgM positivo significa que a pessoa possui anticorpos do tipo imunoglobulina M, e daí se deduz que ela já foi exposta e está na fase ativa da doença havendo a possibilidade do microrganismo estar circulando no paciente naquele momento. Um resultado positivo para IgG pode indicar que a pessoa está na fase crônica e/ou convalescente ou já teve contato com a doença em algum momento da vida e, portanto, para algumas doenças, esses anticorpos funcionam como uma proteção em caso de novo contato com o microrganismo.

Nesta terça-feira (8 de setembro), o boletim do município de Lages do final da tarde registrou 2.909 confirmados; 2.695 recuperados, 128 em isolamento domiciliar, 28 internações.e 62 óbitos. Além das 28 pessoas internadas em Lages, há 13 de outras cidades. A taxa de ocupação de leitos de UTI está em 76%. São 30 os óbitos de moradores de outras cidades da Associação dos Municípios da Região Serrana (Amures).

A respeito de projeções de estabilização e enfraquecimento das transmissões, o diretor técnico do Centro de Triagem, Leonardo Coelho defende que, “projeções são difíceis de serem feitas devido a diversificados fatores externos e comportamentais que podem alterar a cada hora. Porém, acreditamos que após a primeira quinzena de setembro devemos entrar no platô da curva e logo, na sequência, da diminuição dos casos. Vamos ate o final do ano com algumas medidas restritivas ainda, pelo que creio”.

Texto: Daniele Mendes de Melo

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