Nem tudo que se lê, ouve e assiste sobre o novo Coronavírus é verdade

Cuide do conteúdo absorvido pelos olhos e ouvidos e, principalmente, do que sai pela boca, pois as fake news podem fazer um tremendo estrago ao ser propagada desinformação a respeito da doença. A tecnologia nem sempre está ao nosso favor se for mal praticada  

Nos tempos modernos, quem ainda por acaso não utiliza um aplicativo digital de mensagens pode ser visto quase como um “alienígena” pelos demais, fora dos padrões da atualidade, mas uma coisa há de se afirmar: não é regra que chegar na frente, na euforia do “furo” da informação para a turma da família ou amigos, significa que o esclarecimento é correto e, sobretudo, verídico.

A era digital trouxe consigo as redes sociais e os pseudo “donos absolutos da verdade”, compartilhadores de conceitos que podem estar infundados e de opiniões e convicções radicais e irredutíveis. Vídeos, áudios, textos, imagens e “memes” com dados mentirosos, receitas milagrosas e dicas sem fundamento e absurdas que, em vez de auxiliar no enfretamento e prevenção, geram estresse e pânico entre a população. Um verdadeiro perigo.

As informações correm tão depressa que é quase impossível detectar de onde começaram a ser pulverizadas, lembrando que disseminar fake news (notícias falsas) é crime. Identificá-las e combatê-las é um dever de todos e é essencial os adultos aprenderem a lição e repassarem-na aos mais novos – jovens e crianças.

Checar as informações, suas fontes oficiais ou de renome, verificar dados e adotar a empatia são elementos cruciais para o conhecimento coletivo, o que pode, sim, até salvar vidas, ainda mais quando se trata do novo Coronavírus, o fantasma assustador que judia do Brasil como um todo desde meados do mês de março deste ano de 2020 e mais cedo de outros continentes, desde dezembro de 2019.

O vírus gerador da doença Covid-19 provocou uma série de suposições, hipóteses, pré-conceitos e discussões permeadas entre especialistas da medicina e da enfermagem, governantes e leigos, já que representa uma novidade jamais vista neste século com tamanho potencial de devastação no mundo. Portanto, informar-se através de canais confiáveis é o mínimo de atitude a ser tomada pelos cidadãos, além do discernimento, para se unir às pessoas que dominam o assunto e lutam diariamente pelo restabelecimento e cura de pacientes vítimas do Coronavírus que batalham pela vida nos hospitais. Existem veículos de comunicação que disponibilizam departamentos de checagem de notícias duvidosas, uma poderosa prestação de serviço à população.

Em Lages, o Município tem dividido as informações com o público desde o início da pandemia, em março, com boletins praticamente diários, com números de casos confirmados, recuperados, em isolamento domiciliar e internados de Lages e outras cidades da Serra Catarinense, taxa ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e números local e regional de óbitos. Além desta, outras ferramentas foram admitidas, como transmissões ao vivo via Facebook. As redes sociais (Facebook e Instagram) permaneceram alimentadas em tempo real com assuntos pertinentes à comunidade e de forma incessante.

No site oficial do Município, matérias sobre o assunto, e um novo portal criado exclusivamente para o combate à doença (Lages Contra o Coronavírus. Textos, fotografias, vídeos, áudios, entrevistas, artes gráficas, cards, para suprir a demanda da imprensa local e regional e um rigoroso método de tornar público somente informações baseadas na técnica e domínio dos temas com profissionais e autoridades  vinculadas às áreas afins. “Na exposição semanal do Boletim Epidemiológico, com todas as informações atualizadas sobre o combate ao Coronavírus em Lages, é realizada a divulgação de dados estatísticos e evolutivos, interação com as pessoas que estão acompanhando as informações transmitidas ao vivo e respostas imediatas aos comentários, tudo com clareza, objetividade, minimalismo, transparência e linguagem acessível a todos os tipos de público. Esta é uma forma eficaz de levar atualização à comunidade com abordagens plenas de veracidade e com seriedade. As lives exclusivas do Coronavírus continuam podendo ser acessadas às segundas-feiras, às 9h, na rede social da prefeitura (fanpage) em facebook.com/prefeituradelages”, observa o secretário municipal da Saúde de Lages, Claiton Camargo de Souza.

O Ministério da Saúde (MS)/Blog da Saúde recomenda oito passos para identificar fake news:  

  • Avalie a fonte, o site, o autor do conteúdo

Vários sites publicadores de fake news têm nomes parecidos com endereços de sites de notícias. Portanto, avalie o endereço e verifique se o site é confiável e a sua missão. Também veja se outros conteúdos do site também são duvidosos;

  • Avalie a estrutura do texto

Sites que divulgam fake news costumam apresentar erros de português, de formatação, letras em caixa alta e uso exagerado de pontuação;

  • Preste atenção na data da publicação

Veja se a notícia ainda é relevante e está atualizada;

  • Leia mais que só o título e o subtítulo

Leia a notícia até o fim. Por vezes, o título e o subtítulo não condizem com o texto;

  • Pesquise em outros sites de conteúdo

Duvide se você receber uma notícia bombástica que não esteja em outros sites de notícia;

  • Veja se não se trata de site de piadas

Alguns sites de humor usam da ironia para fazer piada;

  • Só compartilhe após checar se a informação é correta

Não compartilhe conteúdo por impulso. Você é responsável pelo o que você compartilha, e

  • Use o Saúde Sem Fake News

Mande sua uma mensagem duvidosa sobre saúde ao novo canal do Ministério da Saúde (MS). Qualquer cidadão brasileiro poderá adicionar o WhatsApp do Ministério da Saúde gratuitamente no celular – (61) 99289-4640. Um canal exclusivo e oficial para desmascarar as notícias falsas e certificar as verdadeiras. As notícias analisadas pela equipe também estarão disponíveis no Portal Saúde no endereço saude.gov.br/fakenews e nos perfis do Ministério da Saúde nas redes sociais. As mensagens são divulgadas no site saúde.gov.br/fakenews.

E você, está disposto a desvendar mitos e curiosidades sobre o Coronavírus? Acompanhe explicações de algumas instituições de saúde.

Curiosidades

  1. O vírus não se reproduz sozinho, ele precisa de uma célula hospedeira para fazer isto e continuar a infecção;
  2. Não existe bochecho capaz de matar o vírus;
  3. O vírus é transmitido por meio de aspiração aérea ou pelo contato com a mucosa, por isto é importante lavar as mãos para que não ele não seja levado da pele para as vias aéreas, boca e/ou olho principalmente;
  4. O vírus está presente na saliva e as gotículas podem ser capazes de transmitir a doença a outras pessoas por tosse ou conversa;
  5. A Covid-19 afeta principalmente as células do pulmão e intestino, mas há relato de outras células sendo afetadas, como orofaringe e língua;
  6. Foi encontrada carga viral alta em dorso de língua (parte superior da língua), por isto que um dos sintomas pode ser a perda de paladar, inclusive pode ser o único;
    7. A perda de olfato pode ser outro e único sintoma;
  7. A parte posterior da faringe concentra também uma alta carga viral;
  8. Esta é a sexta pandemia que o mundo vive (peste bubônica, varíola, cólera, gripe espanhola e gripe suína – H1N1);
  9. O vírus não é capaz de entrar na pele, apenas em mucosas (boca, nariz, olhos), e
  10. O álcool com concentração menor que 70% não é eficaz para desinfecção

(Informações de Rosane Menezes Faria Dutra, especialista em odontologia hospitalar e doutora pela Universidade do Estado de São Paulo – USP, divulgadas pela Odonto Empresas)

Mitos e verdades

  1. Itens, como luvas e máscaras, nos protegem da transmissão da doença.

Verdade. O uso da máscara é recomendado para todos que precisarem sair de casa. No entanto, pessoas assintomáticas devem utilizar máscara caseira de pano. O objetivo é deixar as máscaras descartáveis para pacientes com casos confirmados e com suspeita da doença, além de profissionais de saúde e cuidadores. A recomendação para prevenção é descartar as máscaras a cada quatro horas quando em ambientes externos. Dentro de casa, o uso da mesma máscara pode se manter até que ela fique úmida ou suja;

  1. Pessoas com máscaras podem contrair o Coronavírus.

Verdade. A máscara protege contra a doença, mas não a evita. Existem outras formas de contrair o Coronavírus mesmo estando de máscara. A principal forma de contágio é através do ar, quando a pessoa contaminada tosse ou espirra, espalhando o vírus. Outra forma é o contato das mãos em superfícies contaminadas em até 24 horas após a eliminação do vírus, por isto é importante evitar tocar olhos, nariz e boca sem higienização adequada das mãos. A lavagem das mãos deve ser feita com água e sabão, além do uso de álcool em gel ou álcool 70%. Além da palma da mão, a lavagem deve incluir o dorso, entre os dedos e o pulso;

  1. A taxa de mortalidade pelo novo Coronavírus é maior do que a de outras manifestações do vírus.

Mito. De acordo com estudo realizado pelo Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças (CCDC), a taxa geral de mortalidade pelo Coronavírus é de 2,3%. Em pessoas com mais de 80 anos chega a 14,8%. Em comparação a outros coronavírus já registrados, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), o novo coronavírus não é tão mortal. A taxa de mortalidade do SARS era de 10% e a da MERS em torno de 20% a 40%. Contudo, o nível de transmissão do novo Coronavírus é maior;

  1. Existe um exame capaz de detectar a existência do Coronavírus no corpo humano.
    Verdade. É possível fazer o diagnóstico laboratorial específico para Coronavírus, através da detecção do genoma viral. Além disto, com a investigação clínico-epidemiológica se avalia histórico de viagem para o exterior ou contato próximo com pessoas que tenham viajado para fora do país;
  2. Cães e gatos podem transmitir a doença.

Mito. Não há evidências de que animais domésticos podem ser via de transmissão do Coronavírus, mas se recomenda sempre lavar as mãos após brincar com os pets;

  1. E o contato com a carne de animais silvestres, pode ser uma via de transmissão?

Verdade. Além do contágio entre os humanos, existe também a possibilidade de contágio através de animais silvestres, como morcegos e cobras;

  1. Correspondências vindas da China correm o risco de transportar o vírus para outros locais.

Mito. O vírus sobrevive no máximo 24 horas fora do corpo humano, por isto não é possível que ele seja levado para outros locais do mundo através de objetos e cartas;

  1. Existe vacina contra o novo vírus.

Mito. Assim como não há vacina, também não há tratamento específico. Tem sido indicado repouso, consumo de líquidos, alimentação saudável e algumas medidas para aliviar os sintomas, como medicamentos para dor e febre. No caso de febre persistente, o indicado é procurar o serviço médico, e

  1. Os sintomas são parecidos com o de um resfriado comum?

Verdade. Em caso de febre, tosse e dificuldade para respirar, é preciso ficar alerta. Em alguns casos, também há complicações respiratórias, podendo evoluir para pneumonias

(Informações da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia – SBPT)

Mais mitos e verdades

  1. Paciente com câncer deve interromper o tratamento para manter o afastamento social.Mito. O tratamento oncológico não deve ser interrompido sob nenhuma hipótese. Deve haver uma conversa com o médico sobre a melhor forma de o tratamento ter continuidade sem se correr riscos;
  2. Qualquer álcool gel serve para se prevenir contra o vírus.

Mito. O álcool em gel comercializado em farmácias tem composição de álcool etílico a 70%, que é o recomendado nestes casos. Higienizar regularmente as mãos com álcool gel 70% ou água e sabão ajuda na eliminação do vírus;

  1. Já existe vacina contra o Coronavírus.

Mito. Até o momento não há vacinas nem medicamentos específicos para prevenir ou tratar a Covid-19;

  1. Tomar vitamina D ajuda a prevenir o Coronavírus.

Mito. Apesar da notícia que circulava de que pacientes internados na Itália tinham baixos níveis de vitamina D no organismo, pesquisadores afirmam que o uso da substância não seria capaz de impedir a infecção pela Covid-19;

  1. Melhorar a imunidade ajuda no combate ao Coronavírus.

Verdade. Apesar de não existirem alimentos que ajudem na prevenção da Covid-19, uma dieta balanceada ajuda sim, o organismo a se manter mais preparado para combater doenças, vírus e bactérias;

  1. Tomar vacina da gripe protege contra o Coronavírus.

Mito. Até o momento não há vacinas nem medicamentos específicos para prevenir ou tratar a Covid-19.  A vacina da gripe protege somente contra o vírus Influenza. A vacina pneumocócica conjugada 13-valente previne doenças causadas pelo Streptococcus pneumoniae, como pneumonia e meningite;

  1. Pacientes com baixa imunidade precisam usar máscara para sair de casa.


Verdade. Pacientes oncológicos e imunossuprimidos devem usar máscaras ao sair de casa e principalmente ao irem a ambientes hospitalares, como ao fazer sessões de quimioterapia, por exemplo;

  1. O Coronavírus sempre existiu.

Verdade. Coronavírus é o nome de uma grande família de vírus conhecida desde 1960. Eles causam infecções respiratórias e já provocaram outras doenças, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS). A doença causada pelo novo Coronavírus recebeu o nome de Covid-19. Ela foi descoberta no final de dezembro de 2019, na China, e

  1. Tabagismo aumenta o risco de contrair o Coronavírus.

Verdade. Além de ser a principal causa de doenças crônicas não transmissíveis como câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias, pesquisadores concluíram que fumantes podem ser mais impactados pela Covid-19. Isto porque eles apresentam um comprometimento no funcionamento de seus pulmões. Entre os pacientes chineses diagnosticados com pneumonia associada ao Coronavírus, as chances de agravamento da doença foram 14 vezes maiores entre as pessoas com histórico de tabagismo em comparação com as que não fumavam.

(Informações da Organização Não-Governamental – ONG Instituto Oncoguia)

Texto: Daniele Mendes de Melo

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