Pessoas acometidas pelo diabetes não possuem maior risco de infecção pelo Coronavírus, mas sim de maior gravidade da Covid-19

Calcula-se que a doença (diabetes) afete aproximadamente mais de 450 milhões de pessoas pelo mundo afora, se tornando um sério problema de saúde pública 

Um conjunto de mitos e pré-conceitos ronda a conexão entre o Coronavírus, gerador da doença Covid-19, e o diabetes. Esta se constitui uma doença causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio que regula a glicose no sangue e garante energia para o organismo. A insulina é um hormônio que tem a função de quebrar as moléculas de glicose (açúcar), transformando-a em energia para manutenção das células do organismo.

Não há maior risco de infecção pelo Coronavírus em pessoas com diabetes, mas sim de maior gravidade da Covid-19. As pessoas com diabetes controlado têm risco de complicações pela Covid-19 expressivamente menor e quase igual ao das pessoas sem diabetes, ou seja, se os níveis de açúcar no sangue estiverem controlados, tanto para o diabetes tipo 1 quanto para tipo 2.

Dados estatísticos do Programa Nacional de Hipertensão e Diabetes (Hiperdia), atrelado diretamente à Secretaria Municipal da Saúde de Lages, dão conta de que, em média, 23 cadastros de novos diabéticos insulinodependentes são efetuados mensalmente e no ano de 2019 foram feitos 281 cadastros no total. Para cadastro e renovação de cadastro (atendimento aos usuários), diariamente é atendida uma média de 24 pacientes, sendo uma média de 729 ao mês e o total de 8.475 anualmente. Atualmente são em torno de pouco mais de dois mil diabéticos em atendimento/assistidos.

O Hiperdia encontra-se atual e provisoriamente junto ao Serviço de Atenção Domiciliar (SAD), aberto de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, situado na rua Felipe Schmidt, nº: 19, Centro, na nova casa das Práticas Integrativas e Complementares (PICs). Contatos: 3251-7981 e hiperdiasmslages@gmail.com (e-mail).

Em Lages, os diabéticos são atendidos e acompanhados pelas equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Casos de maior complexidade ou complicações são encaminhados para os especialistas, a exemplo de endocrinologistas, angiologistas, cardiologistas e neurologistas.

As medicações para tratamento da doença encontram-se disponíveis na Relação Municipal de Medicamentos (Remume), disponível em https://saudelages.sc.gov.br/medicamentos e são distribuídas à população através da Farmácia Básica Municipal, que fica na Central de Atendimento da Secretaria da Saúde de Lages, e alguns medicamentos também são distribuídos pelas farmácias que apresentam o selo de Farmácia Popular do governo federal. Os insumos liberados pelo SAD são referidos no ato do cadastro: aparelho de verificação de glicemia, folha de concessão para retirada de tiras reagentes, seringas de insulina e lancetas na Farmácia Básica Municipal. Depois do cadastro o paciente retira mensalmente, pelo período de um ano, tiras reagentes, seringas de insulina e lancetas na Farmácia Básica, com a mesma ficha de concessão, e após um ano solicita a renovação. A coordenadora do SAD em Lages, enfermeira Carolina Siqueira Ribeiro Lima, aconselha para os principais cuidados para prevenir o diabetes. “Alimente-se de forma saudável, faça exercícios físicos regularmente, mantenha um peso saudável, tenha boas noites de sono, fique longe do álcool e do cigarro e faça avaliações médicas periodicamente”, resume a profissional.

O Hiperdia é um programa ministerial que gera recurso para assistência farmacêutica, cadastramento e acompanhamento de portadores de hipertensão arterial e/ou diabetes mellitus, atendidos na rede ambulatorial do Sistema Único de Saúde (SUS), permitindo gerar informação para aquisição, dispensação e distribuição de medicamentos de forma regular e sistemática a todos os pacientes cadastrados.  A portaria é a nº: 2.583, de 10 de outubro de 2007. Define elenco de medicamentos e insumos disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), nos termos da lei nº: 11.347, de 2006, aos usuários portadores de diabetes mellitus – uma doença metabólica que ocorre quando o organismo se torna incapaz de produzir insulina ou até produz, mas em quantidade insuficiente para suprir a demanda interna. É popularmente denominada doença silenciosa. Há também casos de diabetes caracterizados pela dificuldade do corpo em utilizar adequadamente a insulina produzida. Existe, aliás, o programa de ações, monitoramento e acompanhamento dos casos de diabetes, chamado Doenças e Agravos Não Transmissíveis (DANTs), criado para reorganizar a atenção à hipertensão e ao diabetes.

Determinações

A Organização Mundial da Saúde (OMS), através da resolução nº: 5317, de 20 de maio de 2000, recomenda o estabelecimento, pelos países, de programas nacionais para fins de monitoramento, prevenção e controle das principais Doenças e Agravos Não Transmissíveis (DANTs). Com a Instrução Normativa nº: 01, de 05 de setembro de 2002, do Ministério da Saúde (MS), o Brasil instituiu o Subsistema Nacional de Vigilância da DANT, atualmente denominada Coordenação Geral de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (CGDANT).

A partir de setembro de 2005, em Santa Catarina, a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive), através da Gerência de Vigilância de Agravos Infecciosos, Emergentes e Ambientais (Gevra), instituiu, na sua estrutura organizacional, a Divisão DANT, com propósito de vigilância, prevenção e controle das doenças cardiovasculares (CID-10: I00 – I99), doenças respiratórias crônicas (CID-10: J30 – J98), diabetes mellitus (CID-10: E10 – E14), neoplasia maligna (CID-10: C00 – C97) e causas externas (CID-10: X60 – X84; X85 – Y09; V01 – V89) na população de idade igual ou maior de 20 anos residente, com exceção da causa externa, que é analisada na população geral e por ocorrência do evento. Além destes mecanismos há a rede de atenção à saúde das pessoas com doenças crônicas, conforme a portaria nº: 483, de 01 de abril de 2014. Ainda não está em funcionamento em Lages e na Serra Catarinense.

Sinal azul para a vida

O Dia Mundial do diabetes é lembrado em 14 de novembro. E enaltece a cor azul para as campanhas mundiais de divulgação e sensibilização em relação ao tema, seguindo exemplo das campanhas para prevenção ao câncer de próstata, simbolizada no Novembro Azul, e ao câncer de mama, com o Outubro Rosa.

A data do Dia Mundial do diabetes foi instituída pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 1991, e conta com o reconhecimento e apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), que em dezembro de 2006 assinou uma resolução reconhecendo o diabetes como uma doença crônica e de alto custo mundial. As bandeiras levantadas contra a doença e reafirmadas nesta data permeiam as medidas de promoção e prevenção, diagnóstico precoce, monitoramento dos casos com controle glicêmico domiciliar gratuito, tratamento medicamentoso gratuito e prevenção e encaminhamento para média e alta complexidade das complicações.

A gravidade de uma alimentação desregular

Hiperglicemia são as altas taxas de açúcar no sangue e, a longo prazo, a glicemia elevada pode causar sérios danos ao organismo. Entre as complicações destacam-se lesões e placas nos vasos sanguíneos, que comprometem a oxigenação dos órgãos e catapultam o risco de infartos e Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs).

Hipoglicemia é uma queda brusca nestas taxas. O quadro é marcado por tremores, suor frio e sensação de fraqueza. Transpiração excessiva, palpitações, náuseas, alterações de fala, visão turva e até desmaios são sintomas do seu agravamento.

Existem tipos diferenciados de diabetes – 1: Doença crônica em que o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina, e 2: Doença crônica que afeta a forma como o corpo processa o açúcar do sangue (glicose). Diabetes gestacional significa altos índices de açúcar no sangue, que afetam gestantes. Já o pré-diabetes consiste na condição em que o açúcar no sangue está elevado, porém, não o suficiente para ser classificado como diabetes do tipo 2. A faixa etária de maior acometimento é de 60 a 80 anos, sendo de 49% dos pacientes diabéticos insulinodependentes, os demais 3% têm entre de zero e 20 anos; 8% dos 21 aos 40 anos; 29% de 40 a 60 anos, e 11% de 80 anos para mais.

Os sintomas de diabetes são sede constante, boca seca, vontade frequente de urinar, perda de peso, formigamento em pernas e pés, feridas que demoram a cicatrizar e cansaço frequente. As causas e fatores de risco são formados por excesso de peso, acúmulo de gordura abdominal, predisposição genética, idade acima de 45 anos, sedentarismo, apneia do sono, diagnóstico de pré-diabetes, pressão alta, mulheres que tiveram diabetes gestacional ou que deram à luz bebês com mais de quatro quilos, síndrome do ovário policístico e dieta desregrada, com abuso de gordura saturada (carne vermelha e produtos industrializados) e carboidratos simples (pão, arroz, macarrão do tipo não integral).

Diabéticos que estão no grupo de maior risco para evoluir para as formas mais graves da doença são aqueles com longa história de diabetes, mau controle metabólico (não controlam/realizam medição diariamente e nem se medicam corretamente), presença de complicações com outras doenças concomitantes e especialmente idosos (maiores de 60 anos), independentemente do tipo de diabetes. Se não for tratada de forma adequada podem surgir complicações aos pacientes com diabetes, como retinopatia, nefropatia, neuropatia, pé diabético, infarto do miocárdio e Acidente Vascular Cerebral (AVC).

E como cuidar para evitar complicações quando já se porta o diagnóstico do diabetes?

O paciente deve estar atento aos seguintes pontos:

  • Registrar os valores de açúcar no sangue;
  • Reduzir o consumo de certas frutas isoladamente;
  • Evitar o consumo de doces;
  • Reduzir o consumo de bebida alcoólica;
  • Não ficar mais de três horas sem comer;
  • Manter o peso ideal;
  • Eliminar o uso do cigarro;
  • Controlar a pressão arterial;
  • Evitar alguns tipos de medicamentos, e
  • Moderar o estresse

Prevalência do diabetes  

Estima-se que a doença afete aproximadamente mais de 450 milhões de pessoas pelo mundo afora (conjectura-se que este número pode quase dobrar nos próximos 25 anos), das quais 46% delas sequer sabem que tem diabetes. Somente no Brasil são quase 17 milhões de pessoas que possuem esta síndrome, ou seja, uma a cada nove pessoas. Cerca da metade do total (quase 17 milhões) não sabe que sofre da doença (não foi diagnosticada). A estimativa da incidência da doença em 2030 chega a 21,5 milhões. Pesquisa do Ministério da Saúde (MS) aponta que o diabetes cresceu mais de 61,8% desde 2007.

Preponderância nacional da doença é de 10,2% (representando 8,9% em 2016 e 5,5% em 2006); e prevalência de 9,9% nas mulheres e 7,8% nos homens. Entre as cidades com maior prevalência estão o Rio de Janeiro, com 10,4 casos para cada 100 mil habitantes; seguido de Natal e Belo Horizonte (ambos com 10,1); São Paulo (10); Vitória (9,7); e Recife e Curitiba (ambos com 9,6). Boa Vista tem a menor prevalência, com apenas 5,3 casos por 100 mil habitantes. O Brasil é o 5º país em termos de incidência de diabetes no mundo, com 16,8 milhões de doentes adultos (20 a 79 anos), perdendo apenas para China, Índia, Estados Unidos e Paquistão. Estes dados estão no Atlas do Diabetes da Federação Internacional de Diabetes (IDF).

Em 2000, a estimativa global de adultos vivendo com diabetes era de 151 milhões. Em 2009 havia crescido 88%, para 285 milhões. Em 2020 calcula-se que 9,3% dos adultos, entre 20 e 79 anos (463 milhões de pessoas) vivem com diabetes. Além disto, 1,1 milhão de crianças e adolescentes com menos de 20 anos apresentam diabetes tipo 1. Há uma década, em 2010, a projeção global do IDF para o diabetes, em 2025, era de 438 milhões. Com mais cinco anos pela frente, esta previsão já foi ajustada para 463 milhões.

Agência de notícias do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) – por Egle Leonardi, postado em Farmácia Clínica, acentua que, “a crescente prevalência de diabetes em todo o mundo é impulsionada por uma complexa interação de fatores socioeconômicos, demográficos, ambientais e genéticos. O aumento contínuo se deve, em grande parte, ao aumento do diabetes tipo 2 e dos fatores de risco relacionados, que incluem níveis crescentes de obesidade, dietas não saudáveis ​​e falta de atividade física. No entanto, os níveis de diabetes tipo 1, com início na infância, também estão em aumento.”.

Conforme o Atlas do Diabetes da Federação Internacional de Diabetes (IDF), a ascendente urbanização e a mudança de hábitos de vida (por exemplo, maior ingestão de calorias, aumento do consumo de alimentos processados e estilos de vida sedentários) são fatores que contribuem para o aumento da prevalência de diabetes tipo 2 em nível social. Enquanto a prevalência global de diabetes nas áreas urbanas é de 10,8%, nas áreas rurais é menor, de 7,2%. “Contudo, esta lacuna está diminuindo, com a prevalência rural em processo de crescimento”.

Texto: Daniele Mendes de Melo/Imagens: Divulgação

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