Loja lageana de autopeças solicita apoio da prefeitura em tratativas para o retorno da operacionalização de voos comerciais em Lages

Um dos pontos de vantagem que pode significar a volta dos voos em Lages compreende a redução da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a querosene, combustível das aeronaves

A preocupação com a atual falta de voos comerciais regulares operacionalizados em Lages levou empresários da Cunhados Peças a procurarem o Poder Executivo para dialogar sobre o assunto. O prefeito Antonio Ceron recebeu os empreendedores em seu gabinete na manhã desta quinta-feira (14 de janeiro), liderados por Alci Tadeu.

Na reunião foi expressada a apreensão de Lages não estar mais na lista de malha viária dos voos comerciais da empresa Azul Linhas Aéreas para Curitiba, serviços que estão suspensos desde março de 2020 sob a justificativa dos efeitos da pandemia do novo coronavírus, gerador da doença Covid-19, provocando a redução drástica das opções de cidades e países.

A Azul mantinha linhas de segunda a sexta e aos domingos no Aeroporto Federal Antônio Correia Pinto de Macedo, em Lages, com destino à capital paranaense, Curitiba. Até 2019 as viagens ocorriam para Campinas (SP), mas a empresa alterou o itinerário em maio daquele ano. “O Município jamais irá cruzar os braços frente a esta questão e tomaremos as medidas que estiverem ao nosso alcance para que os voos comerciais sejam restabelecidos. Todos ganham com isto, Lages e a região serrana”, resume o prefeito Antonio Ceron.

A Cunhados Peças conta com sua matriz em Lages, um Centro de Distribuição (CD) em Itajaí e unidades filiais em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba; Vacaria (RS); Rondonópolis e Sinop, ambas no Mato Grosso; Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, e São Paulo, onde estão 70% da indústria automotiva do Brasil, portanto, os fornecedores dos produtos de venda. Este panorama ocasiona a necessidade de viagens permanentes para os negócios. “A Cunhados Peças está sediada no bairro Santa Maria e em 2021 completará 29 anos de história. Estamos atentos a toda e qualquer novidade sobre o tema e torcemos para que seja positiva e em breve tenhamos os voos, pois assim como outros empresários lageanos, necessitamos urgentemente otimizar a logística e o tempo despendido para os deslocamentos a trabalho. Os voos comerciais partidos de Lages, são, sem sombra de dúvida, a melhor alternativa estrategicamente para quem aqui está instalado”, salienta o empresário Alci Tadeu.

Em conversa telefônica com o diretor de Relações Institucionais da Azul, Ronaldo Veras, na terça-feira (12 de janeiro), o vereador Álvaro Mondadori (Joinha), expões esta situação preocupante para grande parcela do empresariado lageano. O próximo passo deverá ser um encontro por videoconferência entre representantes públicos de Lages com a empresa, para que então possa se chegar a um denominador comum.

Um dos pontos de vantagem que pode significar a volta dos voos em Lages compreende a redução da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a querosene, combustível das aeronaves. Em dezembro de 2020, o Governo do Estado de Santa Catarina tornou pública a nova política de redução de ICMS para querosene de aviação, com a intenção de impulsionar os voos novamente, depois de um ano fortemente atacado pela pandemia mundial.

As novas regras substituíram a lei aprovada em 2019 pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), esta sem adesão das companhias aéreas. A lei atual pretende um modelo mais atrativo ao mercado.

A alíquota de ICMS, que é de 17%, pode baixar para 12% ou 7%. O primeiro desconto é para empresas que operem, no mínimo, em quatro aeroportos do Estado que possuam voos comerciais. O maior desconto é para as companhias que oferecerem voos em todos os seis terminais comerciais do Estado – Florianópolis, Navegantes, Joinville, Chapecó, Correia Pinto e Jaguaruna.

Para ser beneficiada pela lei estadual em seu grau máximo de 7%, a empresa Azul deve ocupar a operacionalização de seis aeroportos no Estado de Santa Catarina. Para a Azul haveria a possibilidade de operar no Aeroporto Regional do Planalto Serrano, em Correia Pinto, e no Aeroporto Regional Sul Humberto Ghizzo Bortoluzzi, em Jaguaruna, além dos quatro já existentes em sua malha e, desta forma, a empresa poderia estar estimulada a operar em Lages, em razão da demanda de ocupação de grande parte dos 70 lugares, ou lotação total, da aeronave turboélice modelo ATR 72-600, como já comprovado nos dias em que os voos eram oferecidos.

Em meados de março de 2020, a companhia Azul Linhas Aéreas anunciou a suspensão de seus voos em 11 cidades, sendo dez brasileiras e Bariloche, na Argentina, por conta do novo coronavírus. Os municípios Pato Branco, Toledo-PR, Ponta Grossa e Guarapuava (PR); Araxá (MG); Valença, Feira de Santana e Paulo Afonso (BA) e Parnaíba (PI) também foram atingidos pela suspensão dos voos no ano passado. .

A princípio as restrições, que começaram entre os dias 21 e 23 de março, seguiriam até 30 de junho, mas os voos em Lages não foram retomados. À época, o argumento para a decisão foi a baixa expressiva na procura pelas viagens no país. Compareceram, também, à audiência desta quinta-feira (14 de janeiro), no gabinete do prefeito Antonio Ceron, o vice-prefeito, Juliano Polese; secretário interino do Desenvolvimento Econômico e Turismo, Amauri Bacci, e os vereadores Álvaro Mondadori (Joinha) e Ozair Coelho (Polaco).

Texto: Daniele Mendes de Melo/Fotos: Toninho Vieira

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