Psicóloga alerta para moderação no uso da tecnologia nas adoções durante a pandemia

A pandemia exige respostas rápidas para assuntos complexos. A psicóloga Rafaela Marques, lotada na comarca de Lages, comprovou essa necessidade em seu trabalho cotidiano. No caso da equipe técnica forense que atua em adoções, alternativas foram buscadas para manter cada etapa do processo. O trabalho da rede, na qual atuam o Tribunal de Justiça, Ministério Público e as casas de acolhimento, teve resultado positivo, visto que 23 crianças foram adotadas em 2020 e sete já estão com uma nova família neste ano.

A psicóloga faz algumas reflexões com o aprendizado, especialmente sobre o uso das tecnologias nas adoções. Rafaela cita como exemplo o processo de aproximação, no qual tem início a relação de filiação. “Ela implica a construção de vínculo afetivo, desenvolvimento do sentimento de confiança e segurança”, explica. Ela questiona se é possível construir esses vínculos somente através dos meios tecnológicos, como as ligações e chamadas de vídeo. “Não descarto nem desconsidero a importância da tecnologia, mas pontuo que ela deve ser usada com moderação porque algumas etapas precisam, sim, do contato presencial”, posiciona-se.

Mesmo assim, garante a profissional, apesar de todas as adaptações necessárias, a equipe buscou manter as etapas dos processos de adoção, e esse foi o principal desafio apontado. “Não são apenas etapas protocolares. Elas têm um sentido de existir e não se pode negligenciar nenhuma delas, seja por deixar de fazer ou descaracterizar, o que possibilita que haja perda da função principal”, concluiu. 

Taina Borges – NCI/TJSC – Serra e Meio-Oeste 

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