Economia de Lages sente impacto com a Copa Brasil de Vôlei

“A movimentação de clientes sempre melhora. Todo evento é bem-vindo e se os visitantes porventura não gastam nas minhas lojas irão gastar na dos nossos amigos. O importante são os resultados. O ideal seria termos um evento deste por mês, atraindo o turista.” – Célio Bueno

Mais uma vez Lages respira esporte e os efeitos provocados por ser a cidade-sede das disputas de semi e finais da Copa Brasil de Voleibol Feminino podem ser notados nas lojas, hotéis, bares, lanchonetes, restaurantes, supermercados, padarias, cafeterias, estabelecimentos de entretenimento e postos de combustíveis. O evento começou a movimentar a cidade já na véspera dos jogos, quarta-feira (17), quando iniciou o ciclo de palestras do Seminário Interdisciplinar de Voleibol. Na quinta (18), um dos maiores campeões da história, técnico Bernardinho, atualmente treinador do Sesc/RJ, abrilhantou o evento com sua explanação, praticamente lotando o auditório da Associação Empresarial de Lages (Acil).

Acomodações em hoteis

A rede hoteleira comemora um incremento da ocupação dos leitos por conta da Copa em nível nacional e do período de férias de verão, quando argentinos e outros perfis de turistas invadem as praias catarinenses. Lages, privilegiada geograficamente, leva vantagem na hora de oferecer estadias, alimentação e suprimentos, estando a apenas 225 quilômetros de Florianópolis, litoral mais próximo.No Hotel Cattoni da avenida Dom Pedro II existem 65 leitos, todos lotados na quinta-feira (18). Nesta sexta restavam somente nove disponíveis. Somados os leitos da Dom Pedro e da unidade da rua Marechal Floriano chega-se a um total de 95 leitos.

Dos 65 da Dom Pedro, em torno de 15% estão ocupados por profissionais ligados à Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) e por visitantes torcedores (a maioria casais com crianças), e mais 75% estão ocupados por argentinos, paraguaios e hóspedes a trabalho em Lages. “Neste ano o movimento foi melhor, com incremento de 10 a 20%. As reservas relacionadas ao vôlei foram feitas para quinta, sexta e sábado. Estas pessoas acabam não somente por ficar no hotel, mas circulam consumindo e comprando em restaurantes, no shopping, ‘fazendo’ turismo nos pontos famosos, enfim, é toda uma cadeia de produtos e serviços beneficiada”, comemora o recepcionista Orlando Cattoni Filho. O Cattoni oferece quarto para pernoite, café da manhã, garagem e sinal de wi-fi (Internet). A diária para três pessoas é de R$ 210. Não houve aumento do preço nesta época.O trabalho da hoteleira ultrapassa a função básica de receber os hóspedes, encaminhá-los aos quartos e oferecer refeições. “A gente faz um trabalho de bem receber e divulgar as potencialidades de Lages. Contribuímos para a orientação da rota de chegada ao Ginásio Jones Minosso”, reitera Orlando.Os empresários estão empolgados e reivindicam por mais eventos do tipo em Lages. “Nossa solicitação é que a cidade possa receber cada vez mais eventos desta magnitude ou até de proporção menor. Todos ganham. Durante os dez dias dos Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc), no final de 2017, o movimento também foi muito bom. Recepcionamos atletas de São Paulo, dois jogadores de basquete e bastante gente do vôlei, torcedores. Chegou perto de lotar. Fora que é um cartaz perfeito para nossa região”, celebra Cattoni. Os três períodos do ano em que a ocupação supera os demais são o início de cada ano (férias), Festa Nacional do Pinhão e formaturas. A unidade do Cattoni existe há dez anos na Dom Pedro e há no Centro.No Hotel Pegorini, bairro Coral, dos 52 leitos, 20 estão ocupados, sendo em torno de 20% por pessoas atreladas à Copa de Vôlei. “São torcedores de Florianópolis, Caçador, Joinville”, explica o recepcionista Thiago Silva.Em Lages existem mais de dois mil leitos em cerca de 100 hotéis, motéis, hotéis-fazenda e pousadas de distintos portes. “No Hotel Pegorini, rumo da BR-282, por exemplo, a ocupação aumentou substancialmente por causa da Copa. O nosso sonho é ter um evento assim por mês. Tem todo nosso apoio”, comenta o presidente do Sindicato Patronal dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, Cesar Alves. Entre todos estes segmentos são três mil funcionários, destes cerca de 800 da hotelaria. A Festa do Pinhão e outras iniciativas de inverno injetam o maior volume financeiro na hotelaria no município.

O comércio do esporte

Tradicional no ramo de esportes em Lages há 25 anos, a Honolulu conta com duas lojas, uma no Calçadão Túlio Fiúza de Carvalho e a Life Sports na rua Correia Pinto. Empresário ligado à Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e à Acil, Célio Bueno é um dos incentivadores do esporte e vibra com o astral que toma conta da cidade quando sedia eventos de envergadura. No fim do dia o caixa é mais positivo. “A movimentação de clientes sempre melhora. Todo evento é bem-vindo e se os visitantes porventura não gastam nas minhas lojas irão gastar na dos nossos amigos. O importante são os resultados. O ideal seria termos um evento deste por mês, atraindo o turista”, pontua o proprietário Célio Bueno.A Honolulu é um dos pontos de venda de ingressos da Copa de Vôlei. “Revendemos muitos. Por sermos um ponto de venda de ingressos a comercialização de nossos produtos é influenciada. Muitos dão uma ‘olhadinha’. Nós parabenizamos a organização. Está 10! A torcida compareceu e fez sua parte. Já com o Jasc vendemos de 10 a 15% a mais.”A promoção de 50% de desconto com queima de estoque vingando há 18 dias colaborou para que não haja mais nenhum produto referente ao vôlei disponível na loja. No comércio em geral as datas mais impactantes são Páscoa, Dia das Mães, Festa do Pinhão, Dia dos Namorados e Natal. “A Festa do Pinhão para nós é incomparável, excelente. As melhores vendas não deveriam ser pontuais, o comércio deveria vender bem durante todo o ano, mas a economia está se recuperando e somos otimistas.” Nas duas lojas são 35 vendedoras e houve contratações temporárias recentes em 20%. A Honolulu é forte apoiadora do Campeonato Amador, dos Veteranos e Jgos Comunitários de Lages (Jocol).

A revenda de ingressos como estratégia

O gerente da Ki-Bola do Centro, Heider Brehm, analisa os reflexos da Copa de Vôlei na cidade. Além desta existe uma segunda unidade no Coral. A Ki-Bola existe há 27 anos e é ponto de venda de ingressos. “O pessoal que vem buscar um ingresso acaba olhando e se interessa pelos produtos expostos. Ser revendedor chama cliente para dentro da loja. Há certo incremento. Vendemos ingressos para gente de Laguna, Concórdia, Campinas, Vacaria, litoral. Os promocionais foram os mais vendidos. A cidade está um pouco vazia, e um evento deste dá um fôlego.”Contudo, Brehm ressalta que a procura por camisas de vôlei ainda é baixa, se distanciando quando comparada à do Inter de Lages e das Leoas da Serra. “O vôlei ainda não é tão evidenciado em Lages quanto o futebol de campo e de salão. Precisamos de referências como estímulo, um time ou jogador de destaque. Porém, o município tem preparado a base. Para mudar esta realidade esperamos que haja mais eventos.”Jhonatan Florentino e a namorada Iandra Marques estavam na Ki-Bola nesta sexta. O morador do bairro Caça e Tiro está na 5ª fase de Educação Física e entende bem a importância de incentivar uma Copa dentro da sua cidade. “Eu jogo vôlei no clube e entendo a consequência do esporte no comércio e para as pessoas. Os lageanos têm de dar valor ao esporte e aproveitar os espaços públicos para praticar e cuidar da saúde”, enfatiza o acadêmico. A final da Copa será nesta sexta (19), entre Dentil/Praia Clube e Vôlei Nestlé, às 21h30min, no Jones Minosso.

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